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O fora está dentro...

Atualizado: 5 de dez. de 2024

Katia Bonfanti, psicóloga e escritora

O dentro e o fora não se opõem; eles se fundem, como faces de uma mesma existência. Na verdade, quando olhamos de perto, não há uma linha que os separa, mas uma curva contínua — como na fita de Möbius, onde o que parecia avesso revela-se direito, e o que chamamos de limite é só um ponto de virada.


Nosso universo interno, vasto e infinito, não conhece um "fora". Tudo o que experimentamos passa pelo prisma do "eu", que se dobra e desdobra em camadas que parecemos explorar pela primeira vez, mas que já estavam ali, silenciosas, desde sempre. Parmênides tinha razão ao dizer que o Um é Um - o Todo não admite a ruptura, apenas o fluxo contínuo, indivisível.


Pensar na vida como um contínuo nos convida a acolher aquilo que parece contraditório: as dores e as alegrias, os medos e as descobertas. Não estamos perdidos entre opostos; estamos viajando sobre a superfície única da existência, girando sem sair de nós mesmos. Talvez seja esse o verdadeiro sentido de estar vivo: perceber que o infinito do dentro já nos contém, e que o fora é só mais um modo de olhar para o que somos.

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