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Feedback Sistêmico e a Liderança que Valoriza o Processo

Atualizado: 22 de abr. de 2025





Katia Bonfanti

psicóloga sistêmica


O atleta de alto desempenho não nasce só no treino físico ou técnico — ele é construído também no ambiente emocional, nas relações e na cultura da equipe.


Recentemente, enquanto acompanhava o Ibercup, pude observar, tanto como mãe quanto como profissional, a forma como a liderança de equipes infantis e juvenis pode impactar diretamente no desenvolvimento emocional e relacional dos atletas.


Uma situação em particular chamou minha atenção: após uma série de resultados desfavoráveis, um líder de equipe infantil não restringiu sua comunicação ao resultado competitivo. Pelo contrário — valorizou com autenticidade os esforços individuais e coletivos, reconhecendo a entrega, a coesão e a resiliência do grupo, acolhendo a derrota como parte natural e necessária do processo de aprendizagem. Depois da eliminação, enviou uma mensagem acolhedora e motivadora a todos os atletas — e isso fez toda a diferença.


Essa postura da liderança revela uma compreensão importante: a performance de uma equipe juvenil, especialmente, não deve ser mensurada apenas pelo número de vitórias, mas também pela capacidade de fortalecer vínculos, lidar com a frustração, construir significados e sustentar a motivação a partir da experiência coletiva. Embora seja difícil, no processo de desenvolvimento humano e esportivo, as derrotas são etapas necessárias que fortalecem, ensinam e preparam para conquistas mais consistentes e conscientes.


Nesse cenário, vale também refletir sobre o papel de pais e familiares, que frequentemente, na intenção de apoiar, podem acabar projetando expectativas e exercendo pressão emocional sobre os jovens atletas. Essa pressão, muitas vezes inconsciente, tende a distorcer a vivência desportiva, colocando o resultado acima do aprendizado e afetando o prazer e a segurança emocional das crianças e adolescentes no ambiente competitivo.


O desporto juvenil precisa ser, antes de tudo, um espaço seguro de crescimento, onde as relações se sustentem no cuidado, no respeito ao tempo de amadurecimento de cada atleta e no fortalecimento das relações familiares como rede de apoio — e não como fonte adicional de cobrança.


Percebo nesse tipo de liderança e nessas situações uma oportunidade rica de reflexão sobre: Como o feedback pode ser estruturado para potencializar competências emocionais e relacionais? Que estratégias podem ser incorporadas para transformar momentos de insucesso em oportunidades de crescimento para o sistema-equipa? De que forma o ambiente desportivo pode funcionar como espaço de construção de resiliência, identidade e consciência coletiva, envolvendo de maneira saudável atletas, técnicos e familiares?


Esse tipo de abordagem revela o potencial do desporto como ferramenta de formação humana, onde as verdadeiras vitórias acontecem nos bastidores do resultado. Como costuma estar estampado nos espaços desportivos: o desporto começa na atitude. Parabéns aos líderes — Tiago, Alex e Vassalo — e aos familiares, que demonstram uma atitude coerente e produtiva para com os jovens atletas. E não nos esqueçamos: os pequenos de hoje serão os grandes de amanhã — no tamanho, no caráter e na performance.


 

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