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Primaverando



Ao organizar este trabalho, estive pensando sobre as palavras que gostaria que estivessem na apresentação da Coletânea “Palavras” 2022 e que estas aludissem à trajetória do Ser mulher – escritora em cooperação com outras que escrevem. Em especial com as que cultuam “a perenidade do pensamento pela palavra”. É fato que desde que Hellê Vellozo Fernandes idealizou a AJEB, somos outras. Entretanto, nesta dinâmica de vir a Ser não há parada.

Seguimos nos transformando em mulheres que se revestem de dizeres escritos, que desbravam trilhas profissionais e se reconhecem ativistas em diversas frentes. Cada uma empenhada no processo de promover um lugar singular da voz feminina e de transformar realidades através da emoção evocada pelas escritas. E sobre escrever em tons e vozes, a Antologia surge como espaço de reverberação do nosso Ser em escrita – múltipla, ajardinada, tonalizada pelos nossos afetos e existires. É o lugar que nos reúne, estampa nosso pensamento em nuances tal como uma “coleção de flores” cultivada para produzir percepções e sentimentos. Também para promover transformações!


Ao escrevermos, estamos nos inscrevendo em símbolos que serão lidos em caráter múltiplo por outra (e outro) que encontrar nossas palavras. Não há como separar a mulher de sua escrita. Não há nenhuma possibilidade! Pelas palavras reconhecemo-nos e nos damos a conhecer. Na contemporaneidade conquistamos um estilo de escrita aderido ao nosso ser. Palavra-identidade.


Ao escrevermos retomamos memórias, reeditamos histórias e sobretudo elaboramos nosso pensamento. Palavras tornam-se símbolos de empoderamento e protagonismo da mulher. Unimo-nos em força e voz pelas e com as palavras. especialmente para emoldurar nossas escritas, traz uma representação simbólica – o sol infinito da literatura – égide guardiã do caminho, que expande os pontos de luz do Ser. A imagem de uma pena sob o astro luminoso embala nossas escritas da capa e da contracapa, compondo com o tom vibrante de amarelo. Não por acaso, amarelo foi eleita a cor desse momento em que estamos vivendo um novo normal. Precisamos de iluminação e criação.


A palavra carrega em seu interstício, o papel de libertar nossos anseios e tornar nossa criatividade um vetor de crescimento individual e coletivo. Primeiro, essa obra constitui-se em uma sementeira de mudanças nos interiores do Ser, porque se a escrita não fosse transformadora de mundos internos, não teria sentido reuni-las em uma obra. Depois, uma provocação coletiva que faz surgir novos olhares ao entorno. Com a escrita, seguimos imortalizando trajetórias ímpares que dão sua voz ao mundo, não por aplausos, mas para produzir novas perspectivas e mobilizar sentimentos. Para finalizar e, retomando minha questão inicial dessa escrita, concluo que escrevemos para sermos lidas e respeitadas individualmente na trama coletiva. Escrevemos porque queremos compor a vida sob luz de outros enredos. Sigamos nossas coleções floridas, sigamos artistas editando a vida em toda a sua multiplicidade!


Katia Bonfanti Vice-presidente AJEB-RS

 
 
 

1 comentário


Angela Maria Müller
Angela Maria Müller
23 de ago. de 2022

Palavras sensíveis e verdadeiras, Kátia. A edição 2022 brota, maravilhosa, como as flores na primavera. Orgulhosa de vocês e de, mais uma vez, estar presente em uma edição da coletânea Palavras, da AJEB. Grata pelo convite e parabéns pelo belíssimo trabalho.

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