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Catarina tinha um jardim com muitas pontes, mas não como as de Monet


[...] Catarina sentia o gosto da moeda traduzida em funcho. Uma esfera metálica que se elevava sobre um caminho de sabor adocicado, transcendendo ao estado de felicidade.

Vamos ao jardim, Catarina? Pegue seu chapéu.

– Sim, vó. Estou indo.

Guardou as moedas na gaveta e correu por entre os cravos, lírios e margaridas. As roseiras eram as plantas que admirava com curiosidade e um certo cuidado. Sempre deixava as linhas do vestido presas aos espinhos, então, mantinha distância sempre que conseguia. Mas com o cachorro Bingo, estimulando corridas pelos canteiros, não tinha jeito, o vestido acabava preso nos espinhos.


Brincar valia o preço de desmontar em linhas – fio a fio, as coisas prontas para poder ver por dentro. Histórias e descobertas por um fio.

– Vó, por que as rosas têm espinhos?


Acho que para se proteger do Bingo e da menina que pisa no canteiro.

Oh, que triste pensar que poderia ser ela e o Bingo os motivadores dos espinhos da rosa.

Catarina se deu conta de que havia deixado um trilho de margaridas amassadas no canteiro. Preocupada, mostrou a Bingo o estrago e levantou cada uma das margaridas se desculpando pelo descuido.


Por favor, sem espinhos, Margaridas. Vou cuidar melhor de vocês!


Ora, Nina, a vó estava brincando. Não é por tua causa nem pelo Bingo, é da natureza das rosas, espinhos. Eles aumentam a vida da planta, guardam água e assim elas vivem mais tempo.

Sentiu um aperto no peito ao ver a margarida, tão linda e tão frágil, dobrada sem uma gotinha de água para restaurá-la por dentro. Repousou os olhos na tristeza e de mão com a realidade escutou a voz acolhedora da avó que lhe dava uma explicação valiosa:

O espinho é uma gotinha de vida em tempos difíceis. E as flores são sempre abundantes quando cuidadas. Acho que é isso, querida.

Era bom saber que os espinhos não eram a raiva da flor, nem a tristeza. De qualquer modo cuidaria das margaridas.

Vovó e quando a margarida secar?

Surgirão novas. É sempre assim. Umas morrem e deixam sementes, enquanto outras florescem quando menos esperamos, como a rosa.

– Ah, entendi.

[...]


Katia Bonfanti


1 comentário


Angela Maria Müller
Angela Maria Müller
10 de out. de 2021

Teu blog está maravilhoso. Parabéns, Kátia! 💐❤️

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