Bocas
- katiabonfanti
- 23 de set. de 2021
- 1 min de leitura
Atualizado: 1 de dez. de 2024
Acordei
Emudeci
Vi-me desconfigurado
Configurado em grades, esquadrinhado
Vi nascer e morrer meu mundo
Quadros vazios e distópicos
Distopia, aliás, é a realidade
Perdi minha imagem
Numerais me definem
Adormeço para ver se esqueço
Perco-me do que encontro
Sofro dobrado, sonho ao quadrado
Chagas me enlaçam
Abraços me faltam,
Esmaeço
Bocas se abrem em meu corpo
Não proferem palavras
Nem as tenho para responder
Ouvidos escutam gemidos
São minhas vísceras a chorar
Vociferam, aos soluços, a agonia que sinto
Perdido, esmoreço no quadro cinza gélido
Encarcerei meus planos, trancafiei meus voos
Aspiro asas em mim
Cobiço a alma de volta ao corpo
Desejo entrever a liberdade
Delirante, durmo no pesadelo
E vivo no sonho
Espero o fim.
(Katia Bonfanti, 29.10.20)

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